Os desafios de nossa tropicália
Antes de mais nada, sugiro que se veja este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=0IwAD6BAefY
É temática corrente deste blogue, por afinidade do autor com o assunto, a questão do que se pode esperar do futuro do Brasil.
Muito se vem dizendo, e esperando, há mais de 40 anos, sobre os desafios e a grandiosidade desta nossa nação, e que um dia nos brindará com uma vida muito melhor do que a que temos hoje, para a média da população. Graças ao grandioso espaço a desbravar ainda, aos recursos naturais fartos, ao sol, à paz entre as diferentes etnias… Contudo, passaram-se 40 anos, e ainda estamos esperando. “Brasil, país do futuro” (quando se tornará presente?).
Ainda estamos esperando os bons políticos aparecerem, apesar de se votar sempre nos mesmos, que TODOS sabemos serem corruptos, ou infratores das leis, ou desrespeitosos com a coisa pública. Pelo menos os mais influentes são assim. Aos ‘inocentes’, sobra-lhes o pecado da omissão e por conseguinte a cumplicidade, passiva. “Ele rouba, mas faz!“.
Criticamos policiais, que se corrompem, mas muito aceitam subornos em suas tarefas diárias. Critica-se a falta de estrutura, mas ainda se vê muito lixo nas ruas, nos finais de eventos, nos rios e praias. É falta de obras de saneamento e estrutura? Claro, também. Mas é culpa do Estado, a ocupação de terrenos impróprios (encostas de morros, antigos aterros, áreas de preservação)? É culpa do Estado as pessoas que jogam lixo nos rios: geladeiras, pneus, carros, plásticos? É culpa do Governo, quando alguém depreda os telefones públicos, picha monumentos, destrói ônibus ao fim das partidas de futebol? “Precisa-se da mão forte do Estado“.
O que estamos esperando para mudar?
Não que seja preciso que todos se tornem políticos ativos, líderes comunitários ou mobilizados de corpo e alma. É preciso antes que haja uma conscientização, uma reforma, íntima até, para substituir velhos hábitos de passividade que não nos trarão nada de novo. “A maior escola é o exemplo“.
Muitos são os pequenos gestos profícuos, mas principalmente, entender que somos agentes de nossa vida, e da forma como interagimos com a sociedade. Que mesmo com pequenas atitudes, podem-se gerar grandes resultados. Entender que discutir amistosamente assuntos variados com os outros é saudável. O ato de refletir auxilia no aperfeiçoamento de nossas opiniões, nos mecanismos de avaliação e racionalização, do que pensamos no e sobre o mundo, para que estejamos aptos a decidirmos, e escolhermos, de uma maneira melhor como vamos agir em benefício próprio e geral, se possível.
É deixarmos de sermos tão passivos, consumidores apenas de informação, muitas vezes de gosto duvidoso. Quando se vê que sites como Morróida ou Jacaré Banguela (não vou linkar!) só crescem, enquanto portais de livros, ou fóruns realmente úteis não decolam… Que se pode esperar? Quem alimenta essa circo, visto que os administradores desses sites vivem disso, e portanto, não têm compromisso nenhum em melhorar, a não ser que haja queda na procura? Espera-se pelo próximo vídeo engraçado, do cara que cai, do gatinho no saco, da mais incrível apresentação de todos os tempos desta semana em qualquer show de calouros ao redor do mundo… É uma vida de contemplação, vazia. Somente se aperta o PLAY, e se espera acabar a apresentação. Pode haver uma ‘entrega’ (humor, catástrofe, enfim), ou não. E é nisso que muitos se resumem. “E comem, se comem e dormem” – e agora ‘contemplam’.
Desta feita é que vemos assombroso crescimento no número da violência, no número de viandantes desocupados nas ruas, na queda das notas dos alunos, no não desenvolvimento da cultura geral da população. Um povo burro, medíocre, não terá futuro. Não mesmo, desculpe. Nem precisará ser ‘dominado’, visto que não defendendo nenhum valor precioso a que se deva suprimir.
E é dever de cada um buscar isso. O espírito da indústria habita no homem, desde sempre. Foi ele que nos fez procurar por moradias; depois construir casas, e aprimorá-las; montar cidades, sistemas legais, etc. Esse espírito é o que define o homem, o que o distingue do animal. Desse espírito pode vir a sua beleza (quando se trabalha-o) ou sua desgraça (quando se renuncia a ele).
Se um povo tem maus hábitos, como dará bons exemplos? Se você não é bom cidadão, não se compromete nem consigo mesmo, como educará seus filhos, se relacionará bem com seus amasiados, construirá um bom futuro? Há muitos desafios a vencer, o maior deles vendo a nossa situação, creio será a autossuperação (novo acordo ortográfico!).
Caia sobre mim a pecha de utópico, mas prefiro isso a viver esta vida modorrenta do passivo.
Abraço, fiquem bem.
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